Foi chamada assim a rebelião que eclodiu no Minho, em Abril de 1846, durante o governo de Costa Cabral, no tempo da Rainha D. Maria II.
Começou por ser uma pequena arruaça de mulheres que tinha por cabecilha Maria da Fonte, uma rapariga da aldeia de Fonte Arcada, pertencente ao concelho de Póvoa de Lanhoso, no Minho.
Esta arruaça teve como causa, ou pretexto, a não aceitação das leis de Costa Cabral que proibiam os enterros nas igrejas.
A primeira manifestação verificou-se em 19 de Março de 1846 quando um grupo de mulheres armadas de chuços e foices, na aldeia de Santo André de Frades, concelho de Póvoa de Lanhoso, obrigou o pároco a dar sepultura dentro da igreja ao corpo de uma mulher que ia a enterrar.
Os tumultos prosseguiram e no mês seguinte alastraram por todo o Minho e Trás-os-Montes, começando a tomar uma feição de luta de guerrilhas e de movimento miguelista perante a intervenção de uma força de infantaria vinda de Braga.
Costa Cabral pediu às câmaras poderes extraordinários para restabelecer a ordem. Esses poderes - suspensão de garantias, lei marcial - foram concedidos apesar da oposição de muitos deputados. Costa Cabral enviou então para o Norte, como comissário do governo, seu irmão José, ao tempo ministro da Justiça, para sufocar a rebelião.
As medidas que este tomou mais excitaram os ânimos e acenderam a revolta. Em Vila Real surge a primeira Junta Provincial revoltosa, presidida pelo morgado Mateus, logo seguida de outras espalhadas por todo Norte, pelas Beiras e até pela Estremadura. Também em Santarém se organiza uma Junta, presidida por Manuel Passos, ao mesmo tempo que o visconde de Vinhais que comandava a divisão miliciana de Trás-os-Montes se coloca ao lado dos revoltosos.
José Costa Cabral vê-se obrigado a regressar a Lisboa. Perante tão grave alastramento do movimento revolucionário o Duque da Terceira, presidente do Ministério, convocou uma reunião do gabinete a que presidiu a própria Rainha, aí declarando que não tinha força suficiente para debelar a revolta e propondo, como único meio de lhe pôr cobro, a imediata demissão do Ministério. Perante a gravidade da situação, apesar da protecção que sempre dispensara a Costa Cabral, a Rainha concordou.
O movimento saíra pois vencedor e os irmãos Cabral, vencidos, emigraram para Espanha.
Nesse tempo era compositor residente no Teatro Nacional de S. Carlos o maestro Ângelo Frondoni. Ocupava esse lugar por concurso público tendo sido preferido entre outros concorrentes dos quais constava um nome que foi mais tarde reconhecido mundialmente: Giuseppe Verdi.
Ângelo Frondoni entusiasmado com a revolta das mulheres, encabeçada pela Maria da Fonte Arcada compôs a música vibrante do Hino da Maria da Fonte, também conhecido por Hino do Minho, hino que ultrapassou as barreiras do tempo por ser considerada uma obra prima entre as composições do seu género, sendo ainda nos tempos actuais muitas vezes executada por orquestras sinfónicas.
sábado, 28 de junho de 2014
sábado, 10 de maio de 2014
Os trágicos amores de D. Pedro por Inês
Inês de Castro, filha do fidalgo galego D. Pedro Fernandes de Castro, foi uma das damas que acompanharam Dona Constança quando esta veio para Portugal para casar com o Infante D. Pedro, filho do nosso Rei D. Afonso IV.
Inês de Castro era detentora de uma grande beleza. Era loira, de pele muito branca e tinha um pescoço que se assemelhava a um "colo de garça".
D. Pedro, depois de casado com D. Constança, apaixonou-se por Inês.
Este Infante, que mais tarde veio a reinar em Portugal como Rei D. Pedro I, tinha um temperamento nervoso e agitado, o que por vezes o levava a ter atitudes exageradas e a decisões imponderadas.
D. Pedro, ainda em vida da Dona Constança, leva Inês para Coimbra e assenta-lhe côrte nos Paços da Rainha Santa Isabel, sua avó. E ali Pedro e Inês vivem em "maridança" e têm filhos.
Nesse Paço também se acolhem parentes e aderentes de Dona Inês de Castro, destacando-se, entre todos, seus irmãos D. Fernando e D. Álvaro. Mas além destes, de acordo com várias fontes, ali também se refugiam diversos fidalgos de Espanha, inimigos de D. Pedro, homónimo do nosso Infante, Rei de Castela e Leão.
Nesses Paços de Coimbra a língua corrente passa a dada altura a ser a castelhana e aí é criado um grupo oposicionista a D. Pedro de Castela liderado pelos irmãos de Dona Inês que tentam também juntar à sua causa o Infante português.
O referido D. Pedro de Castela e Leão havia-se desquitado da sua esposa a Rainha Dona Branca e havia vivido em comum com a irmã de Dona Inês de nome Dona Joana de Castro, que mais tarde também engeitou.
Vivia na altura com uma amante de nome Dona Maria Padilha.
Por outro lado o referido Rei de Castela e Leão, cognominado "O Cru" afogava em sangue os descontentes do seu Reino.
Os refugiados de Castela tentavam aliciar o nosso Infante D. Pedro, no sentido de que logo que tomasse o Governo de Portugal, movesse uma guerra contra Castela a fim de derrubar o seu legítimo Rei apoderando-se do seu Reino.
E os irmãos de Dona Inês: D. Fernando de Casto e D. Álvaro de Castro eram quem mais se destacava nessa conjura. E foram principalmente esses os motivos que, em 1355, levaram os conselheiros de D. Afonso IV: Pêro Viegas Coelho (sobrinho de D. Gonçalo Viegas Magro), Diogo Lopes Pacheco e Álvaro Gonçalves Pereira a instigar o Rei no sentido de ordenar a execução de Dona Inês de Castro por temerem que a referido trama viesse a trazer diversos malefícios para o País um dos quais poderia vir a ser o afastamento do trono do Infante D. Fernando (filho de D. Pedro e de Dona Constança) sendo considerado herdeiro do trono de Portugal o filho mais velho de D. Pedro e de Dona Inês, que teriam possivelmente casado em Bragança, em segredo em 1363, quando Dona Constança já havia falecido.
Inês de Castro era detentora de uma grande beleza. Era loira, de pele muito branca e tinha um pescoço que se assemelhava a um "colo de garça".
D. Pedro, depois de casado com D. Constança, apaixonou-se por Inês.
Este Infante, que mais tarde veio a reinar em Portugal como Rei D. Pedro I, tinha um temperamento nervoso e agitado, o que por vezes o levava a ter atitudes exageradas e a decisões imponderadas.
D. Pedro, ainda em vida da Dona Constança, leva Inês para Coimbra e assenta-lhe côrte nos Paços da Rainha Santa Isabel, sua avó. E ali Pedro e Inês vivem em "maridança" e têm filhos.
Nesse Paço também se acolhem parentes e aderentes de Dona Inês de Castro, destacando-se, entre todos, seus irmãos D. Fernando e D. Álvaro. Mas além destes, de acordo com várias fontes, ali também se refugiam diversos fidalgos de Espanha, inimigos de D. Pedro, homónimo do nosso Infante, Rei de Castela e Leão.
Nesses Paços de Coimbra a língua corrente passa a dada altura a ser a castelhana e aí é criado um grupo oposicionista a D. Pedro de Castela liderado pelos irmãos de Dona Inês que tentam também juntar à sua causa o Infante português.
O referido D. Pedro de Castela e Leão havia-se desquitado da sua esposa a Rainha Dona Branca e havia vivido em comum com a irmã de Dona Inês de nome Dona Joana de Castro, que mais tarde também engeitou.
Vivia na altura com uma amante de nome Dona Maria Padilha.
Por outro lado o referido Rei de Castela e Leão, cognominado "O Cru" afogava em sangue os descontentes do seu Reino.
Os refugiados de Castela tentavam aliciar o nosso Infante D. Pedro, no sentido de que logo que tomasse o Governo de Portugal, movesse uma guerra contra Castela a fim de derrubar o seu legítimo Rei apoderando-se do seu Reino.
E os irmãos de Dona Inês: D. Fernando de Casto e D. Álvaro de Castro eram quem mais se destacava nessa conjura. E foram principalmente esses os motivos que, em 1355, levaram os conselheiros de D. Afonso IV: Pêro Viegas Coelho (sobrinho de D. Gonçalo Viegas Magro), Diogo Lopes Pacheco e Álvaro Gonçalves Pereira a instigar o Rei no sentido de ordenar a execução de Dona Inês de Castro por temerem que a referido trama viesse a trazer diversos malefícios para o País um dos quais poderia vir a ser o afastamento do trono do Infante D. Fernando (filho de D. Pedro e de Dona Constança) sendo considerado herdeiro do trono de Portugal o filho mais velho de D. Pedro e de Dona Inês, que teriam possivelmente casado em Bragança, em segredo em 1363, quando Dona Constança já havia falecido.
O nascimento de Nuno Alvares Pereira
O apelido Pereira é de origem portuguesa e o primeiro a usá-lo foi D. Rui Gonçalves Pereira.
D. Rui Gonçalves Pereira casou duas vezes: a primeira vez com Dona Inês Sanches e a segunda com Dona Sancha Henriques Magro, filha de D. Henrique Fernandes Magro e de Dona Ouroana Reimondes de Portocarreiro. Do segundo casamento nasceram dois filhos: D. Pedro Rodrigues de Portocarreiro e Dona Froile Rodrigues que casou com D. Pedro Fernandes de Portugal.
Desta última família nasceu mais tarde D. Nuno Alvares Pereira condestável de D. João I. Era filho de D. Álvaro Gonçalves Pereira, prior do Crato, que fundou em 1356, na Flôr da Rosa, uma igreja e um mosteiro torreado, onde pretendia vir a ser sepultado ao lado dos restos mortais de seus pais, o arcebispo de Braga D. Gonçalo Pereira e Tareja Pires Vilarinho, a Salamanquina.
D. Frei Álvaro, segundo Oliveira Martins, era um homem poderosíssimo que privara com El Rei D. Afonso IV e com El Rei D. Pedro, tendo sido também uma das figuras eminentes no tempo de D. Fernando. A sua sabedoria na arte de astrologia era grande pondo um minucioso cuidado nas suas demoradas práticas com mestre Tomás, o astrólogo, traçando os vaticínios do tempo.
Oliveira Martins traça-lhe da seguinte forma o seu perfil humano: "Era um grande braço, era um grande cérebro, era um grande coração D. Frei Álvaro, e tudo isto era espontaneamente, à lei da natureza, levado pelos impulsos da vontade, pelos assomos do orgulho fidalgo, pela violência de um temperamento carnal.
Na sua longa vida, apesar dos votos proferidos antes dos dezoito anos, que foi quando o fizeram prior do Hospital, teve muitos amores e trinta e dois filhos machos e fêmeas. O mais velho chamava-se Pedro, Pedro Alvares (filho de Álvaro) e foi quem lhe sucedeu no priorado; entre os menores estava Nuno Alvares, que nasceu no dia de S. João, em 1360, no Castelo de Sernache de Bonjardim filho de uma aia da Côrte, por nome Iria Gonçalves do Carvalhal.
Quando esta aventura pagâ teve o seu desfecho com o parto de Iria do Carvalhal no mosteiro de Bonjardim o pai D. Frei Álvaro e o astrólogo mestre Tomás apressaram-se a tirar o vaticínio do recém-nascido e o oráculo disse que o novo bastardo seria invencível. Vinha ao mundo como o Precursor; os signos afirmaram que seria um prodígio; o pai exultava e a mãe sorria."
D. Rui Gonçalves Pereira casou duas vezes: a primeira vez com Dona Inês Sanches e a segunda com Dona Sancha Henriques Magro, filha de D. Henrique Fernandes Magro e de Dona Ouroana Reimondes de Portocarreiro. Do segundo casamento nasceram dois filhos: D. Pedro Rodrigues de Portocarreiro e Dona Froile Rodrigues que casou com D. Pedro Fernandes de Portugal.
Desta última família nasceu mais tarde D. Nuno Alvares Pereira condestável de D. João I. Era filho de D. Álvaro Gonçalves Pereira, prior do Crato, que fundou em 1356, na Flôr da Rosa, uma igreja e um mosteiro torreado, onde pretendia vir a ser sepultado ao lado dos restos mortais de seus pais, o arcebispo de Braga D. Gonçalo Pereira e Tareja Pires Vilarinho, a Salamanquina.
D. Frei Álvaro, segundo Oliveira Martins, era um homem poderosíssimo que privara com El Rei D. Afonso IV e com El Rei D. Pedro, tendo sido também uma das figuras eminentes no tempo de D. Fernando. A sua sabedoria na arte de astrologia era grande pondo um minucioso cuidado nas suas demoradas práticas com mestre Tomás, o astrólogo, traçando os vaticínios do tempo.
Oliveira Martins traça-lhe da seguinte forma o seu perfil humano: "Era um grande braço, era um grande cérebro, era um grande coração D. Frei Álvaro, e tudo isto era espontaneamente, à lei da natureza, levado pelos impulsos da vontade, pelos assomos do orgulho fidalgo, pela violência de um temperamento carnal.
Na sua longa vida, apesar dos votos proferidos antes dos dezoito anos, que foi quando o fizeram prior do Hospital, teve muitos amores e trinta e dois filhos machos e fêmeas. O mais velho chamava-se Pedro, Pedro Alvares (filho de Álvaro) e foi quem lhe sucedeu no priorado; entre os menores estava Nuno Alvares, que nasceu no dia de S. João, em 1360, no Castelo de Sernache de Bonjardim filho de uma aia da Côrte, por nome Iria Gonçalves do Carvalhal.
Quando esta aventura pagâ teve o seu desfecho com o parto de Iria do Carvalhal no mosteiro de Bonjardim o pai D. Frei Álvaro e o astrólogo mestre Tomás apressaram-se a tirar o vaticínio do recém-nascido e o oráculo disse que o novo bastardo seria invencível. Vinha ao mundo como o Precursor; os signos afirmaram que seria um prodígio; o pai exultava e a mãe sorria."
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
El Rei D. Dinis - senhor de muitos talentos
De acordo com alguns historiadores o reinado de D. Dinis foi o mais representativo da primeira dinastia.
Foi este Rei uma personagem riquíssima pois, segundo Barrilaro Ruas, concebeu e pôs em prática uma política de grandeza nacional.
De acordo com o referido historiador os talentos de D. Dinis eram muito diversificados: excelente administrador, bom chefe militar e grande diplomata.
No seu reinado organizou-se a Marinha de Guerra, estimulou-se a Marinha Mercante e a Agricultura, protegeram-se os Municípios, reformou-se a nobreza e foram moderados os poderes do alto clero.
Foi no seu tempo também que foi criada em Portugal a primeira Universidade. Inicialmente foi instituído em Lisboa um Estudo Geral que em 9 de Agosto de 1290 se tornou a primeira Universidade Portuguesa com a concordância do Papa Nicolau IV.
Até 1308 essa Universidade manteve-se em Lisboa, data em que o monarca decidiu transferi-la para Coimbra, cidade mais propícia ao labor intelectual. Nela eram ministrados cursos superiores de Letras, de Direito Canónico e Civil e de Medicina.
D. Dinis foi também um homem muito culto, um dos maiores poetas do seu tempo.
Escreveu diversas cantigas de amor, de amigo e "saborosas" cantigas de maldizer. Até à actualidade chegaram-nos da sua autoria 138 cantigas sendo 76 cantigas de amor, 52 de amigo e 10 de maldizer.
Na formação deste nosso Rei, quando jovem, tiveram influência os seus professores Domingos Jardo e Aymeric d'Ehrard, este profundo conhecedor e provavelmente cultor da poesia provençal, tendo possivelmente encaminhado D. Dinis para a criação poética na sua juventude.
Mas foi Lourenço Gonçalves Magro, trineto de Egas Moniz quem D. Afonso III, seu pai, escolheu para o educar na sua infância.
Ao descendente de Egas Moniz o nosso Rei D. Dinis ficou sempre muito reconhecido pela dedicação que teve na sua educação, tendo-o recompensado com a doação de Vila de Arêga - hoje Caldas de Aregos - situada junto ao Rio Douro, nas proximidades de Resende. A respeito dessa recompensa diz Frei António Brandão o seguinte:
"Deu-lhe D. Dinis esta vila por ter sido seu aio. E ainda que, anos adiante, fizera geral revogação das mercês que fizera nos princípios do seu reinado, conservou ,todavia, a Lourenço Gonçalves Magro o referido senhorio de Arêga, como consta duma ratificação feita em 9 de Novembro de 1286 da seguinte forma" :
"Como eu desse a Lourenço Magro, meu aio por criança e por serviços que me fez, em doaçom a Vila de Arêga e eu revogasse todas as doações, não foi entam minha inteçom, nem hé, que revogue essa doaçom. Tudo merece um bom aio e mestre. "
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
DONA JOANA – INFANTA DE PORTUGAL E RAINHA DE CASTELA
O casamento de Henrique IV de Castela e Leão
com Blanca de Navarra foi considerado nulo ao fim de três anos e meio. Blanca,
durante esse período de tempo, nunca engravidou e supõe-se que, a quando do seu
divórcio, continuava virgem, isto é se encontrava tal qual como no dia do seu
casamento.
O documento final que os juízes eclesiásticos
entregaram ao procurador de Blanca, para que o assinasse ou rejeitasse,
estabelecia critérios então aceites pela Igreja Católica para sentenciar a
nulidade e separação de um casal por causa da impotência do cônjuge masculino.
A sentença explicava que essa impotência não tinha uma causa física mas que era
resultado de um malefício. Algo que, segundo os juízes, só tinha acontecido com
Blanca, uma vez que na sentença se afirmava que Henrique IV pudera ter relações
com outras mulheres.
Em 1453 a Igreja Católica aceitava que a
impotência por malefício era uma das causas mais claras para anular um
casamento. Por isso foi anulada, sem grandes entraves, a união de Henrique de
Castela com Blanca de Navarra, embora os rumores que corriam fossem de que se
não conhecia ao Rei ligação alguma com qualquer outra mulher nem a existência
de nenhum filho bastardo.
Por outro lado eram propaladas considerações
nada edificantes sobre a índole sexual de Henrique e dos seus gostos
particulares que o levava a escolher validos de baixa moral com quem dormia.
Depois do divórcio foi considerada pelos conselheiros do Rei a necessidade de
se encontrar uma infanta pertencente a uma das casas reais existentes com vista
a poderem ser iniciados os primeiros contactos no sentido de ser negociado um
segundo casamento de Henrique IV de Castela. A solução escolhida foi Joana de
Portugal, filha do já falecido Rei D.Duarte e irmã do então reinante Afonso V,
o Africano, solução que veio a concretizar-se em 1455. Com esse casamento
seriam sanadas algumas disputas entre Portugal e Castela, além de poderem ser
assinados tratados de amizade e de entreajuda no sentido dos dois reinos
combaterem juntos os últimos redutos mouros existentes na Península Ibérica
como Granada e Córdova. Além disso a Infanta Dona Joana era muito jovem, pois
tinha apenas dezasseis anos de idade, e extraordinariamente bela e graciosa,
predicados que poderiam ser estimulantes para Henrique IV motivando o interesse
sexual dele por uma parceira feminina.
A ligação entre Henrique de Castela e Joana de
Portugal verificou-se, como já foi referido em 1455, mas o seu casamento não
foi consumado. O Rei em nada alterou os seus hábitos de índole sexual e a sua
impotência prevaleceu, E à medida que os anos passavam as pressões da nobreza e
do povo aumentavam continuadamente no sentido do casal real gerar um herdeiro
ao trono.
Ao fim de sete anos de casados, não podendo o
Rei suportar mais essas pressões, resolveu, aconselhado naturalmente pelos seus
mais próximos colaboradores, consultar um físico judeu de reconhecida
sabedoria. Ordenou o médico que fosse construída uma cana de ouro que a Rainha
introduziu na “matriz”. Depois do Rei ser masturbado foi vertido o seu sémen
nessa cana que correu para dentro das entranhas de Dona Joana. A esse respeito
o Papa Pio II na sua obra intitulada Comentarii escreve textualmente :
“Disseram-me que foi fecundada sem perder a virgindade.
Houve quem afirmasse que o sémen derramado na entrada tinha penetrado nos
lugares mais recônditos”.
Mas o que constou foi que o esperma do Rei era
aquoso e estéril não tendo produzido a fecundação da Rainha como foi previsto
pelo físico judeu.
E que em vistas disso Henrique IV não teve
outra alternativa senão proporcionar ao seu favorito na altura (Beltran de las
Cuevas) um ajuntamento com Dona Joana no leito dela.
E foi desse ajuntamento, ao que parece, que
resultou a gravidez de Joana, ao fim de tantos anos de casada e a perda
definitiva da sua virgindade. Dessa gravidez nasceu uma menina que o povo
sempre considerou como sendo filha de Beltran de las Cuevas tendo-a por isso
cognominado de Beltraneja, embora Henrique IV por duas vezes ( em 1462 e 1470)
a tivesse considerado sua legítima herdeira. Possivelmente, como compensação, em
resultado das humilhações que tinha sofrido, Joana passa a ter, a partir do
nascimento da filha, uma atitude provocatória e leviana.
Como era uma mulher jovem e extraordinariamente
bela foi muito requestada, sendo exposta a muitas tentações. A sua vida passou
a ser moralmente reprovável, envolvida como parece ter estado em diversos casos
passionais. Prestando atenção às conversas amorosas de um sobrinho do arcebispo
de Sevilha de nome Pedro de Castilha, o Moço, deixa-se seduzir por ele e enlear
numa ardente paixão que durante algum tempo consegue manter secreta. Mas aos
vinte e nove anos de idade engravida de Pedro de Castilha, o Moço, dez anos
mais novo, do qual tem pelo menos dois filhos. Filhos que secretamente, são
entregues ao cuidado duma tia de D.Pedro, prioresa do Mosteiro de Santo Domingo
el Real de Toledo, onde foram criados e educados os dois rapazes. D.Henrique IV
morre em 1474 depois de mais de 20 anos de reinado. A Rainha sobrevive-lhe, tendo
lutado, em vão, pelos direitos da filha, apoiada por D.Afonso V de Portugal seu
irmão.
Mas quem sucedeu a Henrique IV de Castela e
Leão foi a irmã deste Rei, Isabel a Católica que casou com D.Fernando de
Aragão.
Publicado por Fernando Magro
Texto redigido de acordo com as normas do antigo acordo ortográfico dec.lei 35228/45
terça-feira, 24 de julho de 2012
D.João II, o Príncipe Perfeito
D.João II foi filho de D. Afonso V, o Africano.
Em 1471 acompanhou o pai na expedição que tomou Arzila e Tânger aos Mouros e é nessa altura por ele armado cavaleiro, sendo-lhe entregue a condução dos assuntos relativos aos descobrimentos.
D.Afonso V, seu pai, segundo o cronista Rui de Pina "foy Pryncepe de muy graciosa presença, grande humanidade e doce conversação, mas foi em tanto extremo que pera Rey superior não foy muyto de louvar, porque com grande familiaridade que de sy, contra sua gravydade e estado real, muyto dava além de muytas vezes não guardavam aquela reverência e acatamento que devyam, tomavam aynda atrevymento de lhe requerer e elle vergonha de lhe nom outorgar muytas e mayores cousas de que os mercimentos, nem onestidade nem o acrescentamento de património real requeriam, segundo todo o Rey e Prýncepe lhe obrigava".
Em 1481 D. João II, por morte de D.Afonso V é aclamado Rei em Sintra.
Seu Pai, muito amado pelos cavaleiros e fidalgos, tinha distribuído entre eles terras e riquezas, sem se lembrar do seu filho herdeiro.
Quando tomou conta do Governo do País consta que D. João II teria declarado: "Meu Pai deixou-me Rei somente das estradas de Portugal".
Esforça-se por isso em obter a centralização do poder e entra em conflito com a nobreza, principalmente com a mais ligada à família Real. Em resultado disso alguns conspiram contra a sua vida e outros têm entendimentos secretos com os Reis de Castela no sentido de urdir um plano para contaminar a política ultramarina do soberano.
O Duque de Bragança de quem se descobriu correspondência com sua prima, a Rainha D.Isabel de Castela, muito comprometedora, foi preso, julgado e sentenciado a ser decapitado em Évora no ano de 1488, tendo os seus principais cúmplices sido executados uns e banidos de Portugal os outros.
E no ano seguinte, explodiu uma conspiração concentrada em volta de D. Diogo, Duque de Viseu, primo co-irmão do Rei. Essa conspiração tinha em vista a captura e possível morte do Rei, seguida da coroação do Duque de Viseu.
A trama foi descoberta e D. Diogo foi morto, possivelmente pelo próprio Rei.
Depois destes acontecimentos deixou de haver problemas com os grandes fidalgos que dai em diante passaram a ser inofensivos e até obedientes ao trono.
D. João II pode então dedicar-se à grandiosa expansão marítima. Mandou erguer em S.João da Mina, no Golfo da Guiné uma fortaleza.
À volta dela logo cresceu uma vila - a mais antiga feitoria de brancos estabelecida naquela costa - aonde iam as tribos do interior transaccionar ouro com os portugueses.
Diogo Cão descobriu o grande rio Congo, chamado assim pelos nativos do Zaire.
E em 1488 Bartolomeu Dias dobrou o Cabo das Tormentas, depois chamado Cabo da Boa Esperança, grande passo para se atingir a Índia, por via marítima.
D.João II depois de dobrado o Cabo da Boa Esperança começou a preparar a grande viagem que deveria ser realizada por navios pesados - naus de alto bordo, com velas quadradas, próprias para aguentar as tempestades do Oceano meridional.
Os navios seriam todos novos, especialmente construídos pelos melhores artífices e com as melhores madeiras para a viagem por mar até à Índia.
Mas, entretanto o Rei adoece gravemente o que o levou a fazer testamento, nomeando seu primo, o Duque de Beja, D. Manuel por herdeiro, uma vez que o seu único filho de nome Afonso havia falecido quatro anos antes num acidente a cavalo, quando galopava com um jovem companheiro nas margens do rio Tejo, em Santarém.
Em 1494 resolveu viajar até ao Algarve procurando a cura dos seus males nas águas termais de Monchique.
Sentindo algumas melhoras algum tempo depois resolveu ir caçar nos bosques húmidos da Serra num dia frio e chuvoso no Outono de 1494.
Teve em resultado disso uma severa recaída. Logo que lhe foi possível montar a cavalo o Rei resolveu descer da Serra em direcção a Alvor em 24 de Outubro de 1494 aonde chegou muito enfraquecido.
Alvor nesse tempo, era uma pequena povoação de pescadores junto à baía de Lagos. Numa elevação fronteira ao mar havia um pequeno castelo.
Foi recolher-se a casa do Alcaide desse castelo e lá morreu no referido dia 24 de Outubro de 1494.
Os seus acompanhantes e o próprio Alcaide consideraram não ter Alvor condições para fazer as exéquias mortais ao Rei de Portugal dada a modéstia das instalações existentes nesse tempo no local.
Por isso resolveram levar o caixão contendo o seu corpo para a Sé de Silves.
Durante a noite, à luz das tochas, debaixo de mortalha de veludo negro, seguido pela gente de Alvor que quebrava o silêncio nocturno com os seus gemidos, foi levado para Silves e o seu cadáver depositado na Sé em frente ao altar.
Quatro anos mais tarde D. Manuel ordenou que fosse levado o seu corpo para junto dos seus antepassados no mosteiro da Batalha.
Em 1471 acompanhou o pai na expedição que tomou Arzila e Tânger aos Mouros e é nessa altura por ele armado cavaleiro, sendo-lhe entregue a condução dos assuntos relativos aos descobrimentos.
D.Afonso V, seu pai, segundo o cronista Rui de Pina "foy Pryncepe de muy graciosa presença, grande humanidade e doce conversação, mas foi em tanto extremo que pera Rey superior não foy muyto de louvar, porque com grande familiaridade que de sy, contra sua gravydade e estado real, muyto dava além de muytas vezes não guardavam aquela reverência e acatamento que devyam, tomavam aynda atrevymento de lhe requerer e elle vergonha de lhe nom outorgar muytas e mayores cousas de que os mercimentos, nem onestidade nem o acrescentamento de património real requeriam, segundo todo o Rey e Prýncepe lhe obrigava".
Em 1481 D. João II, por morte de D.Afonso V é aclamado Rei em Sintra.
Seu Pai, muito amado pelos cavaleiros e fidalgos, tinha distribuído entre eles terras e riquezas, sem se lembrar do seu filho herdeiro.
Quando tomou conta do Governo do País consta que D. João II teria declarado: "Meu Pai deixou-me Rei somente das estradas de Portugal".
Esforça-se por isso em obter a centralização do poder e entra em conflito com a nobreza, principalmente com a mais ligada à família Real. Em resultado disso alguns conspiram contra a sua vida e outros têm entendimentos secretos com os Reis de Castela no sentido de urdir um plano para contaminar a política ultramarina do soberano.
O Duque de Bragança de quem se descobriu correspondência com sua prima, a Rainha D.Isabel de Castela, muito comprometedora, foi preso, julgado e sentenciado a ser decapitado em Évora no ano de 1488, tendo os seus principais cúmplices sido executados uns e banidos de Portugal os outros.
E no ano seguinte, explodiu uma conspiração concentrada em volta de D. Diogo, Duque de Viseu, primo co-irmão do Rei. Essa conspiração tinha em vista a captura e possível morte do Rei, seguida da coroação do Duque de Viseu.
A trama foi descoberta e D. Diogo foi morto, possivelmente pelo próprio Rei.
Depois destes acontecimentos deixou de haver problemas com os grandes fidalgos que dai em diante passaram a ser inofensivos e até obedientes ao trono.
D. João II pode então dedicar-se à grandiosa expansão marítima. Mandou erguer em S.João da Mina, no Golfo da Guiné uma fortaleza.
À volta dela logo cresceu uma vila - a mais antiga feitoria de brancos estabelecida naquela costa - aonde iam as tribos do interior transaccionar ouro com os portugueses.
Diogo Cão descobriu o grande rio Congo, chamado assim pelos nativos do Zaire.
E em 1488 Bartolomeu Dias dobrou o Cabo das Tormentas, depois chamado Cabo da Boa Esperança, grande passo para se atingir a Índia, por via marítima.
D.João II depois de dobrado o Cabo da Boa Esperança começou a preparar a grande viagem que deveria ser realizada por navios pesados - naus de alto bordo, com velas quadradas, próprias para aguentar as tempestades do Oceano meridional.
Os navios seriam todos novos, especialmente construídos pelos melhores artífices e com as melhores madeiras para a viagem por mar até à Índia.
Mas, entretanto o Rei adoece gravemente o que o levou a fazer testamento, nomeando seu primo, o Duque de Beja, D. Manuel por herdeiro, uma vez que o seu único filho de nome Afonso havia falecido quatro anos antes num acidente a cavalo, quando galopava com um jovem companheiro nas margens do rio Tejo, em Santarém.
Em 1494 resolveu viajar até ao Algarve procurando a cura dos seus males nas águas termais de Monchique.
Sentindo algumas melhoras algum tempo depois resolveu ir caçar nos bosques húmidos da Serra num dia frio e chuvoso no Outono de 1494.
Teve em resultado disso uma severa recaída. Logo que lhe foi possível montar a cavalo o Rei resolveu descer da Serra em direcção a Alvor em 24 de Outubro de 1494 aonde chegou muito enfraquecido.
Alvor nesse tempo, era uma pequena povoação de pescadores junto à baía de Lagos. Numa elevação fronteira ao mar havia um pequeno castelo.
Foi recolher-se a casa do Alcaide desse castelo e lá morreu no referido dia 24 de Outubro de 1494.
Os seus acompanhantes e o próprio Alcaide consideraram não ter Alvor condições para fazer as exéquias mortais ao Rei de Portugal dada a modéstia das instalações existentes nesse tempo no local.
Por isso resolveram levar o caixão contendo o seu corpo para a Sé de Silves.
Durante a noite, à luz das tochas, debaixo de mortalha de veludo negro, seguido pela gente de Alvor que quebrava o silêncio nocturno com os seus gemidos, foi levado para Silves e o seu cadáver depositado na Sé em frente ao altar.
Quatro anos mais tarde D. Manuel ordenou que fosse levado o seu corpo para junto dos seus antepassados no mosteiro da Batalha.
sábado, 24 de dezembro de 2011
D. Leonor - Marquesa de Alorna
Quando há alguns anos atrás tive conhecimento do namoro do meu sobrinho Tiago Magro com uma jovem da Casa de Alorna resolvi fazer uma leitura demorada e atenta das poesias da D. Leonor tendo ficado seduzido pela sua figura e pela sua produção literária.
Com o pseudónimo de Alcipe, D. Leonor escreveu poesia desde muito nova. É autora de seis volumes de Obras Poéticas tendo traduzido vários autores entre os quais Lamartine.
Fiquei deslumbrado pela sua cultura e emocionado com a história da sua vida.
O meu entusiasmo pela Marquesa foi tão grande que pensei mesmo escrever um livro de ficção sobre ela respeitando a sua biografia. Iniciei por isso a recolha de alguns textos publicados sobre D. Leonor e procurei interessar na realização do livro a colaboração de uma minha sobrinha professora da faculdade de Letras da Universidade de Évora.
D. Leonor além de uma grande poetisa percussora do romantismo no nosso país, foi a primeira mulher a ter lugar em todas as antologias portuguesas. Era detentora de uma grande inteligência e cultura sendo também dotada de uma grande beleza física. A história da sua vida é verdadeiramente emocionante. Nasceu em 1750 filha do Marquês de Alorna e neta do Marquês de Távora, uma vez que sua mãe era filha deste último fidalgo.
Viveu durante 26 anos no reinado de D. José, e ao que consta este nosso Rei teve um caso amoroso com a esposa de um seu tio materno, filho do Marquês de Távora. Este procurando reparar a honra da sua família teria preparado um atentado ao Rei disparando ou mandando disparar sobre D. José, quando ele regressava no seu coche de uma visita nocturna à sua nora. O Rei sofreu em resultado desse atentado ferimentos ligeiros, mas o Marquês de Pombal, primeiro ministro do reino e inimigo dos Távoras mandou-os prender sendo posteriormente degolados e os seus cadáveres queimados.
Quanto ao Marquês da Alorna por ter cedido uma arma aos Távoras e não ter alertado o Rei da preparação do atentado foi mandando encurralar na prisão das Junqueira. A sua esposa e as suas duas filhas: D.Leonor com oito anos e D. Maria com seis anos de idade foram internadas no Convento de Chelas e o irmão destas D. Pedro de quatro anos, dada a sua tenra idade foi entregue aos cuidados da Corte.
Foi no Convento de Chelas que D. Leonor evidenciou interesse pela poesia. Os seus primeiros versos chegaram ao conhecimento do médico do convento que era amigo do poeta Filinto Elísio que também os leu e apelidou a jovem poetisa de Alcipe. No Convento de Chelas onde permaneceu dezoito anos lê D'Alembert, Rousseau e as grandes figuras do passado: Fenelom, Bossuet, Racine, Corneille, etc. Lê ainda Voltaire e Buffon.
Só com a morte de D. José e com o afastamento do Marquês de Pombal é que termina ao fim de dezoito anos, a prisão de seu pai Marquês de Alorna e as clausuras de sua mãe, dela e de sua irmã.
A poetisa tinha já 26 anos de idade.
Ainda no convento em que a clausura não era rigorosa, ocorreram visitas ao locutório de vários seus admiradores. Entre os seus pretendentes há um jovem conde, oficial hanoveriano que havia sido trazido para Portugal pelo Conde de Lippe, seu parente, quando este foi incumbido da reforma do Exército Português. Já no reinado de D. Maria I, D. Leonor casa com o referido oficial, que se naturaliza português e consegue o lugar de embaixador de Portugal em Viena de Áustria.
Aí Leonor vive durante doze anos o que lhe permitiu aprender a língua alemã e a familiar-se com os poetas do nascente romantismo, traduzindo Oberon de Wieland.
A morte do marido em 1793 deixa-a com cinco filhos menores aos 43 anos de idade.
Regressa a Portugal refugiando-se em Almeirim, onde os Marqueses da Alorna possuíam propriedades e uma casa senhorial ali passando alguns anos a criar e educar os seus filhos. Depois regressa a Lisboa. Funda mesmo uma associação literária a que deu o nome de Sociedade da Rosa. Os seus salões são frequentados pelos intelectuais da época. Mas o Intendente Pina Manique, no reinado de D. Maria, teme as reuniões desses intelectuais e as suas ideias revolucionárias vindas de França. Receia mesmo que a Sociedade da Rosa tenha fins maçónicos.
Persegue por isso D. Leonor e consegue deportá-la para Inglaterra. Na capital inglesa passa anos de muitas dificuldades económicas. Mas em Londres familiariza-se com a língua inglesa e lê grandes autores britânicos da época e traduz Pope e Gray.
Em 1814 regressa a Portugal. Tem 64 anos de idade. O seu irmão D. Pedro, que pela morte do seu pai, herdara o marquesado, tinha falecido no ano anterior (1813). Ele havia sido oficial, fazendo parte das tropas de Napoleão Bonaparte, tendo combatido na Rússia. Nessa altura já lhe havia sido retirado o título de Marquês, por haver suspeitas de que teria combatido ao lado dos franceses contra os portugueses aquando das invasões napoleónicas.
D. Leonor conseguiu provar que o seu irmão D. Pedro recusou sempre fazer parte das tropas que invadiram Portugal e nunca lutou contra os portugueses.
Conseguiu por isso reabilitar a memória do seu irmão sendo-lhe restituída a Casa de Alorna e o título de marquesa, sucedendo a D. Pedro por ser a sua irmã mais velha.
Deste último período da sua vida os intelectuais do seu tempo falam dela com muito respeito e imensa saudade. Alexandre Herculano, que no início da sua carreira literária frequentou assiduamente os salões da famosa Alcipe tece-lhe grandes elogios.
O romantismo português terá sido forjado em larga medida nos salões de D. Leonor.
No tempo em que tive a ideia de escrever a sua biografia ficcionada nada havia sido escrito sobre a vida dela. Durante o corrente ano de 2011 surgiram, porém, duas obras inspiradas na sua vida:
- Marquesa de Alorna de Maria João Lopo de Caravalho;
- As Luzes de Leonor, a Marquesa de Alorna, com o subtítulo: uma sedutora de anjos, poetas e heróis de Maria Teresa Horta.
Não sendo anjo nem herói talvez por ser um fazedor de versos também fiquei seduzido pelas luzes da Leonor.
Com o pseudónimo de Alcipe, D. Leonor escreveu poesia desde muito nova. É autora de seis volumes de Obras Poéticas tendo traduzido vários autores entre os quais Lamartine.
Fiquei deslumbrado pela sua cultura e emocionado com a história da sua vida.
O meu entusiasmo pela Marquesa foi tão grande que pensei mesmo escrever um livro de ficção sobre ela respeitando a sua biografia. Iniciei por isso a recolha de alguns textos publicados sobre D. Leonor e procurei interessar na realização do livro a colaboração de uma minha sobrinha professora da faculdade de Letras da Universidade de Évora.
D. Leonor além de uma grande poetisa percussora do romantismo no nosso país, foi a primeira mulher a ter lugar em todas as antologias portuguesas. Era detentora de uma grande inteligência e cultura sendo também dotada de uma grande beleza física. A história da sua vida é verdadeiramente emocionante. Nasceu em 1750 filha do Marquês de Alorna e neta do Marquês de Távora, uma vez que sua mãe era filha deste último fidalgo.
Viveu durante 26 anos no reinado de D. José, e ao que consta este nosso Rei teve um caso amoroso com a esposa de um seu tio materno, filho do Marquês de Távora. Este procurando reparar a honra da sua família teria preparado um atentado ao Rei disparando ou mandando disparar sobre D. José, quando ele regressava no seu coche de uma visita nocturna à sua nora. O Rei sofreu em resultado desse atentado ferimentos ligeiros, mas o Marquês de Pombal, primeiro ministro do reino e inimigo dos Távoras mandou-os prender sendo posteriormente degolados e os seus cadáveres queimados.
Quanto ao Marquês da Alorna por ter cedido uma arma aos Távoras e não ter alertado o Rei da preparação do atentado foi mandando encurralar na prisão das Junqueira. A sua esposa e as suas duas filhas: D.Leonor com oito anos e D. Maria com seis anos de idade foram internadas no Convento de Chelas e o irmão destas D. Pedro de quatro anos, dada a sua tenra idade foi entregue aos cuidados da Corte.
Foi no Convento de Chelas que D. Leonor evidenciou interesse pela poesia. Os seus primeiros versos chegaram ao conhecimento do médico do convento que era amigo do poeta Filinto Elísio que também os leu e apelidou a jovem poetisa de Alcipe. No Convento de Chelas onde permaneceu dezoito anos lê D'Alembert, Rousseau e as grandes figuras do passado: Fenelom, Bossuet, Racine, Corneille, etc. Lê ainda Voltaire e Buffon.
Só com a morte de D. José e com o afastamento do Marquês de Pombal é que termina ao fim de dezoito anos, a prisão de seu pai Marquês de Alorna e as clausuras de sua mãe, dela e de sua irmã.
A poetisa tinha já 26 anos de idade.
Ainda no convento em que a clausura não era rigorosa, ocorreram visitas ao locutório de vários seus admiradores. Entre os seus pretendentes há um jovem conde, oficial hanoveriano que havia sido trazido para Portugal pelo Conde de Lippe, seu parente, quando este foi incumbido da reforma do Exército Português. Já no reinado de D. Maria I, D. Leonor casa com o referido oficial, que se naturaliza português e consegue o lugar de embaixador de Portugal em Viena de Áustria.
Aí Leonor vive durante doze anos o que lhe permitiu aprender a língua alemã e a familiar-se com os poetas do nascente romantismo, traduzindo Oberon de Wieland.
A morte do marido em 1793 deixa-a com cinco filhos menores aos 43 anos de idade.
Regressa a Portugal refugiando-se em Almeirim, onde os Marqueses da Alorna possuíam propriedades e uma casa senhorial ali passando alguns anos a criar e educar os seus filhos. Depois regressa a Lisboa. Funda mesmo uma associação literária a que deu o nome de Sociedade da Rosa. Os seus salões são frequentados pelos intelectuais da época. Mas o Intendente Pina Manique, no reinado de D. Maria, teme as reuniões desses intelectuais e as suas ideias revolucionárias vindas de França. Receia mesmo que a Sociedade da Rosa tenha fins maçónicos.
Persegue por isso D. Leonor e consegue deportá-la para Inglaterra. Na capital inglesa passa anos de muitas dificuldades económicas. Mas em Londres familiariza-se com a língua inglesa e lê grandes autores britânicos da época e traduz Pope e Gray.
Em 1814 regressa a Portugal. Tem 64 anos de idade. O seu irmão D. Pedro, que pela morte do seu pai, herdara o marquesado, tinha falecido no ano anterior (1813). Ele havia sido oficial, fazendo parte das tropas de Napoleão Bonaparte, tendo combatido na Rússia. Nessa altura já lhe havia sido retirado o título de Marquês, por haver suspeitas de que teria combatido ao lado dos franceses contra os portugueses aquando das invasões napoleónicas.
D. Leonor conseguiu provar que o seu irmão D. Pedro recusou sempre fazer parte das tropas que invadiram Portugal e nunca lutou contra os portugueses.
Conseguiu por isso reabilitar a memória do seu irmão sendo-lhe restituída a Casa de Alorna e o título de marquesa, sucedendo a D. Pedro por ser a sua irmã mais velha.
Deste último período da sua vida os intelectuais do seu tempo falam dela com muito respeito e imensa saudade. Alexandre Herculano, que no início da sua carreira literária frequentou assiduamente os salões da famosa Alcipe tece-lhe grandes elogios.
O romantismo português terá sido forjado em larga medida nos salões de D. Leonor.
No tempo em que tive a ideia de escrever a sua biografia ficcionada nada havia sido escrito sobre a vida dela. Durante o corrente ano de 2011 surgiram, porém, duas obras inspiradas na sua vida:
- Marquesa de Alorna de Maria João Lopo de Caravalho;
- As Luzes de Leonor, a Marquesa de Alorna, com o subtítulo: uma sedutora de anjos, poetas e heróis de Maria Teresa Horta.
Não sendo anjo nem herói talvez por ser um fazedor de versos também fiquei seduzido pelas luzes da Leonor.
| Texto redigido de acordo com as normas do antigo Acordo Ortográfico (Decreto lei 35.228/45). |
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